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O que aprendemos sobre blockchain, a tecnologia que vai mudar como negociamos música





Com a proposta de disponibilizar acesso a transações sem intermediários, com segurança e transparência, o blockchain promete fazer ao sistema financeiro o que a internet fez com a comunicação. Se você nunca ouviu falar sobre isso, Lee Parsons (Ditto Music/UK), que participou da mesa “Que diabos é blockchain e com isso vai mudar a sua vida?”, exemplifica.

Se você quer comprar uma casa, uma das primeiras coisas a fazer é procurar um agente imobiliário. Acertado isso, ele o leva para conhecer algumas opções e fala maravilhas da sua possível nova morada. Aí, quando você está quase assinando o contrato, descobre que alguém foi assassinado ali. Piadinha à parte, a ideia é que “todo mundo tem uma reputação no blockchain e isso dita como você negocia as coisas. Se você fosse comprar um imóvel com essa ferramenta, é como se pudesse rastrear a história de cada tijolo. Se houver algo errado, você vai descobrir. E poderá cancelar a transação antes de fechar o contrato. Tudo isso sem envolver órgãos oficiais ou qualquer outro atravessador”, explica Lee.

Tá, mas o que isso tem a ver com música? Tudo. Isso porque esta tecnologia nada mais é que uma espécie de super ultra power banco de dados que reúne ferramentas como a criptografia e pode ser aplicada em qualquer área. Não é à toa que este tema é recorrente nas maiores conferências de música, tecnologia e inovação do mundo todo.

Projetos que contemplam o registro de direitos autorais já estão em andamento, por exemplo. Em termos práticos, uma possibilidade para você refletir: se eu e você escrevemos uma música podemos registrar no blockchain. E aí, nesse processo, vamos estabelecer quais serão as regras de uso da nossa composição. Se alguém quiser ter acesso a ela dentro de uma plataforma, por exemplo, precisa cumprir essas regras. Como há um sistema de rastreamento, toda essa “ficha técnica” está computado. Ou seja, a cada play há uma leitura automática de todo o contrato. Se o acordo não for respeitado, a transação simplesmente não acontece.  

A hora de estudar e entender os trâmites é agora mesmo. Até porque, segundo os especialistas, este é um caminho sem volta. Para o mediador da mesa, Luiz Augusto Buff (1M1 Arte),”uma hora ou outra essa adesão vai rolar – e não vai demorar muito. A legislação também vai se adaptar. E a gente não acredita na desintermediação total, mas sim que será possível construir uma relação de forma transparente e respeitosa”, diz.

Afinal, a tecnologia é uma coisa. Como as pessoas vão estabelecer as relações entre ela é outra. “Como todas as tecnologias disruptivas, a criação do blockchain vem de anarquistas libertários dispostos a acabar com grandes instituições”, explica Luiz. Nesse cenário, um músico pode lucrar tendo acesso ao pagamento direto da utilização das músicas dele. Já uma plataforma de streaming pode continuar sendo intermediário. A questão é quem vai chegar primeiro. Fica a dica.

A Semana Internacional de Música de São Paulo segue com uma programação repleta de atividades até o domingo, 10 de dezembro. Confira a programação completa aqui. A SIM São Paulo é uma realização da Inker Agência e este ano conta com o patrocínio da AOC.

fotos: Filipa Andreia

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