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A trajetória e o processo criativo da produtora, cineasta e diretora teatral Monique Gardenberg





Monique Gardeberg mudou a paisagem cultural do Brasil com a Dueto Produções, criada em parceria com a irmã Sylvia (1960-1998), em 1982. Pioneira em aliar música e entretenimento, a produtora está por trás da criação de projetos como como o Free Jazz Festival, o Carlton Dance e o TIM Festival.

Sabatinada na SIM São Paulo por Guilherme Guedes, do Multishow, Monique reviu a sua trajetória. Falou do início da carreira, quando foi empresária de Djavan e Marina Lima, à produção de grandes turnês internacionais no país, como as de Madonna, Rolling Stones, Stevie Wonder e Elton John.

A produtora cultural também explicou um pouco sobre a estrutura da empresa, que ainda hoje realiza projetos inovadores sob encomenda para diversas marcas. Ainda sugeriu uma nova batalha a abraçar no cenário cultural e compartilhou parte do seu processo criativo – também como cineasta e diretora teatral.

Monique Gardenberg entrevistada por Guilherme Guedes, do Multishow, na SIM São Paulo

 

Leia aqui os pontos altos do Q&A:

O curso de economia
“O meu sonho de menina era ser atriz, mas precisava ajudar em casa. O meu pai tinha vazado e deixado minha mãe com as duas filhas. Eu tinha que ganhar dinheiro. E na minha cabeça o jeito mais fácil de fazer isso era estudando economia”, conta.

Dias de militância estudantil
“Não podia imaginar que, dentro da faculdade de Economia, teria uma formação tão rica, com discussões políticas aprofundadas, o que me aproximou da militância estudantil. Foi tentando recuperar as atividades do Teatro de Arena, fechado pela ditadura militar, que comecei a produzir os primeiros shows. Eu ia catar os artistas no Baixo Leblon na saída dos shows para propor que eles tocassem lá. A ideia era angariar dinheiro para o espaço. Aí, o Milton Nascimento me chamou pra fazer show, depois o Djavan…”

Obra do acaso? 
“Tudo na minha vida foi muito por acaso. Mas deu certo também porque eu tenho visão. Consigo observar o cenário e enxergar oportunidades. Quando criamos o Free Jazz Festival, o Brasil estava no auge do rock, foi na mesma época que surgiu o Rock in Rio. Achamos que tinha espaço pra algo mais calmo. Lembro que eu e a minha irmã saímos contratando artistas sem ter dinheiro algum. Depois, fomos atrás da Souza Cruz e o diretor era músico. O melhor dos mundos é quando você encontra na empresa [que pode ser um eventual patrocinador] alguém apaixonado pela arte que você está promovendo”.

Como vender um projeto?
“Para alugar som, luz e contratar artista, não precisa de formação nenhuma. O meio em que me formei era muito cheio de picareta. Ainda hoje sigo a mesma cartilha: ter ideia boa e conceituar bem cada pedacinho para levar com a maior crença no mercado.”

A criação
“A criação é como uma sala escura [de revelação fotográfica]. Nunca sei o que vai revelar (…) E a arte é feita de angústia. Na minha tem homofobia, povo nas ruas, violência doméstica. Trabalho muito a partir da falta. Quando faço um filme é como um vômito, um delírio. Coloco música bem alta e vou escrevendo, escrevendo, escrevendo. É como um sonho. Tudo meio fora do lugar, resíduos de pedaços da vida. Acho que o filme é meio isso: como – de forma bem travestida –,  você coloca todas as suas questões.”

A batalha para 2018
“O Fundo Nacional de Cultura tinha que ser mais atuante e efetivo em detectar quem precisa de ajuda [na área cultural]. As empresas nunca vão apoiar esse tipo de arte que é tão importante na formação de um povo. Essa é uma luta boa pro ano que vem.”

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