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FESTA DE ABERTURA DA SIM 2018 É GRITO DE RESISTÊNCIA CULTURAL NO BRASIL





Resistência. Essa foi a tônica da festa de abertura da sexta Semana de Música de São Paulo, que aconteceu na noite desta quarta-feira (5/12), no Cine Joia, e teve como atrações musicais as argentinas das Ninfas, Francisco el Hombre e Keila (ex-Gang do Eletro). Em um ano que termina com o anúncio do fim do Ministério da Cultura, no futuro governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), a SIM deixa claro que a união não só é a grande arma para resistir, mas também o que move uma “indústria poderosíssima”, como bem definiu Fabiana Bastitela, diretora e idealizadora da SIM São Paulo.

Continuar lutando e resistindo

Rodeada por membros do Conselho Consultivo da SIM 2018, Fabiana Bastistela abriu a festa com um discurso que simboliza o sentimento geral de quem trabalha com música e cultura no Brasil. “A gente tem eventos como a SIM São Paulo, conferências, feiras de música. A gente tem uma missão muito especial que não é só fazer negócios, não é só a parte de conexões, de negócios, mas também de transformação social”, afirmou. “Acredito que, quando pessoas brilhantes da cultura se juntam, a gente transforma mesmo o ambiente em que vivemos, fazemos coisas incríveis acontecerem.”

A partir de 2019, a gestão das políticas públicas para a cultura será absorvida pelo Ministério da Cidadania e Ação Social, acabando com o Ministério da Cultura, tema que será discutido na quinta-feira (6/12, na SIM, na mesa “Carta aberta em favor de mantermos o Ministério da Cultura no Brasil com o Conselho Consultivo da SIM”. “A gente vai ser bem prejudicado, vão ser anos difíceis, mas estamos juntos e é isso que importa, vamos fazer acontecer de alguma forma. Acho que ninguém que está aqui vai desistir, a gente vai resistir e vai continuar transformando, criando e lutando o máximo que a gente puder”, declarou Fabiana Batistela, que ainda destacou a importância do Data SIM, pesquisa que visa mapear o consumo de música no Brasil e que será apresentada este ano. “Vamos conseguir levantar os números do mercado e dizer pra todo mundo que a gente não tá brincando de ter banda, a gente tem uma indústria poderosíssima, que dá emprego pra muita gente.”

Katia Abreu, membro do Conselho Consultivo e coordenadora de comunicação da SIM, destacou que o trabalho de quem movimenta a cultura no Brasil já é de “resistência há muitos anos”: “A força que a gente tem juntos e, principalmente essa comunhão que a música proporciona, é uma coisa que temos que manter em mente. Vamos conseguir superar qualquer coisa que tiver pela frente com essa união e a música como essa grande religião que nos guia, que nos conecta uns com os outros”.

Victor D'Almeida, gerente de cultura do Oi Futuro, fechou o discurso dizendo: “Parabéns pra vocês que vivem, respiram e fazem música, porque nesse país não podem existir perguntas proibidas, letras proibidas, melodias proibidas. A gente [Oi Futuro] sempre teve uma atuação muito forte do palco pra frente, e a gente, no último ano, resolveu olhar para trás do palco, onde a magia acontece. Onde se pesquisa, se cria, e se produz”.

O shows da noite 

Embalado por ritmos latinos como cumbia, salsa e cuarteto, As Ninfas abriram os shows colocando todo mundo pra dançar, mas sem deixar de lado seu forte discurso feminista. Elas tocaram músicas de seu EP homônimo, lançado em 2017, como “Brisita de Luna e “Cobarde”.

“É muito importante pra nós estar aqui com vocês compartilhando a nossa música e a nossa resistência. Representando as mulheres da América Latina”, declararam entre as músicas, arrancando aplausos do público. “Durante o dia de hoje, oito mulheres saíram de casa para lutar por mais igualdade. ‘Ni una menos’.”

“Hora de quebrar tudo. Hora de celebrar o que construímos o ano inteiro. Tá cada vez mais difícil, mas tá cada vez mais forte”, foi assim que Mateo Piracés-Ugarte, segurando uma bandeira do MST, incitou a galera para o show do Francisco el Hombre, que levou os hits de seu álbum “Soltasbruxas” (2016) para a festa de abertura da SIM São Paulo. Aliás, dar início a mais uma SIM com a energia da apresentação do quinteto é pra lavar a alma.

A banda seguiu a tônica da noite e, entre canções como "Calor da Rua", "Dilatada" e "Bolso Nada" (que teve a participação de Keila), também discursou contra o governo de Jair Bolsonaro, deixando claro que “ele não nos representa” e que iremos “resistir”.

“Agora é um excelente momento pra gente perceber uma parada que é muito importante. Se o Bolsonaro tacasse uma bomba aqui, a cultura brasileira tava fodida”, falou Sebastián Piracés-Ugarte. “É fundamental que a gente pegue esse evento, que joga gente do mundo inteiro, pra gente pensar um pouquinho como nossas atitudes influenciam gente no mundo inteiro. É fundamental a gente derrubar as paredes entre a gente, todo mundo com a mão pro alto. Ou a gente tá junto nessa, ou a gente cai junto nessa. Mas a gente tá junto, Tem muita gente do nosso lado. Ele não nos representa.”

Sempre emocionante, a performance de Juliana Strassacapa para “Triste, Louca ou Má” veio acompanhada de mais uma fala destacando a força das mulheres, principalmente em um evento como a SIM São Paulo. “Fico muito feliz que existam festivais como a SIM São Paulo, com paridade de gênero, com a equipe de produção formada por mulheres. Dedico essa música a todas as mulheres, vamos juntas que a gente vai mudar essa porra toda”, discursou.

"Tá Com Dólar, Tá Com Deus" e a tradicional versão de "O meu sangue ferve por você", praticamente no final da apresentação, contaram com uma "invasão" de palco, quando a banda chamou artistas como Luê, Josyara, Bia Ferreira, Scalene e Ninfas para celebrar o início de mais uma SIM São Paulo. Imagem que deixou claro o clima de união e resistência que precisa perdurar pelos próximos quatro anos no Brasil.


* Texto: Bruno Dias Foto: Divulgação/SIM São Paulo


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