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ÁFRICA, PALESTINA E ILHAS CANÁRIAS SE CONECTAM COM O BRASIL NA SIM 2018





Pelo visto “resistência” será a palavra mais usada durante a Semana de Música de São Paulo, que vai até domingo (9/12). Durante a mesa “Conexões Internacionais: Um circuito fora do eixo do grande mercado da música que você precisa conhecer”, que aconteceu na tarde desta quinta-feira (6/12), na Sala Paulo Emílio, no Centro Cultural São Paulo, ela voltou a aparecer, principalmente nas falas de Rasha Nahas (Palestina) e Beth Achitsa (ONGEA! The Eastern Africa Music Summit/Quênia).

As duas foram acompanhadas na discussão sobre iniciativas culturais em locais “pouco explorados” pelo mainstream da música mundial por Martin Goldschmidt (Cooking Vinyl/UK, Palestine Music Expo/Palestina), Xerach Gutierrez Ortega (Governo das Ilhas Canárias/Espanha), Octavio Arbelaez (Circulart/Colômbia, MAPAS, Ilhas Canárias/Espanha), e Fabrício Nobre (Festival Bananada/GO).

Nobre abriu a conversa falando sobre sua experiência em festivais que já são roteiros certos de muita gente nos Estados Unidos e Europa, como Primavera Sound (Barcelona), SXSW (Austin, Texas), mas deixando claro que vivenciar eventos como o PMX valem muito a pena. “É muito legal ter a oportunidade de se encontrar pessoalmente com quem faz festivais na África, no Quênia, nas Ilhas Canárias, em Ramallah, na Palestina. Uma das experiências mais transformadoras da minha vida”, falou o produtor e membro do Conselho Consultivo da SIM.

Palestina e África

“Sou do Quênia, um dos 54 países da África. Sou parte da equipe que faz o ONGEA!, um festival que ajuda artistas a serem descobertos, visando um novo mercado”, explicou Beth Achitsa. “Durante quatro dias, falamos sobre todos os problemas que afetam o nosso mercado. Não sei quantos vocês já foram para festivais ou países da África, mas é importante descobrir os artistas de lá.”

Após mais de 30 anos como executivo de gravadora, Martin Goldschmidt mudou o foco de sua atuação (e vida) para ajudar a desenvolver a cena musical da Palestina, que vive em conflito com Israel há mais de 70 anos. “O PMX não é para o lucro, ele é feito para dar suporte aos artistas palestinos”, revelou. “É um evento único, a cultura é fascinante, mas é desesperador ver como é viver sob uma ocupação. Quando você vai aos shows a noite, você tem que passar por barreiras, talvez você não consiga chegar até lá, chegar até em casa. É muito bom ver o poder da música como algo transformador.”

“A gente tem uma ideia de que é tudo destruído, que as pessoas ficam brigando por religião o tempo todo. Mas o que vi foi uma cidade viva, com as pessoas se divertindo muito nos shows”, completou Fabrício Nobre sobre sua experiência no PMX.

“Toquei no PMX em 2017, fiz um showcase de 15 minutos e, quando desci do palco, o booker do Glastonbury [tradicional festival britânico e um dos maiores do mundo] me convidou para tocar lá. Essa é a razão pela qual estou aqui”, contou Rasha Najas. “Pra mim, como musicista, o PMX é a melhor coisa que aconteceu na Palestina. Ele abriu portas. A motivação dos artistas e bandas mudou. Você pode se apresentar e tem agentes de outros lugares. Agora você tem para onde ir, não está mais isolado.”

Rasha ainda deixou claro que nunca se “sentiu confortável” em tocar num palco em Israel: “Não me representa”. Por falar em não representar, a artista ficou impressionada com a apresentação do Francisco el Hombre na festa de abertura da SIM 2018 que, como tem sido comum nos shows dos brasileiros. “Foi um show tão político! Eu havia chego ao Brasil no dia anterior, e esse show me inspirou tanto. Havia um espírito revolucionário ali."

Espanha, Colômbia e América Latina

Xerach Gutierrez Ortega e Octavio Arbelaez trouxeram suas experiências com festivais nas Ilhas Canárias (Espanha) e Colômbia para a SIM São Paulo. Arbelaez, por muitas vezes durante a mesa, arrancou aplausos ao falar sobre os próximos quatro anos aqui no Brasil, sob o governo de Bolsonaro, que anunciou recentemente o fim do Ministério da Cultura. “Queremos apoiar essa resistência dos artistas brasileiros. Penso que a língua não é uma barreira, ainda mais nesses tempos em que a América Latina deveria se unir e abraçar esse Brasil que tem perspectivas tão ruins pela frente”, declarou ele, que se preocupa pelo fato de muitos artistas do Brasil não se sentirem latinos. “Sempre tento escalar um artista brasileiro nos eventos que faço, para a apoiar a classe artística e tentar mudar esse pensamento.”

Sobre as Ilhas Canárias, Gutierrez destacou a posição estratégica da região, localizada entre a Europa e a África. “Turisticamente somos muito potentes, estamos situados em um marco geográfico muito bom, turistas de toda a Europa vão para as ilhas Canárias”, explicou, deixando claro que ainda são um mercado em desenvolvimento, com avanços realizados no último ano para levar artistas de outros lugares para as Canárias e deixando portas abertas para parcerias, principalmente com os brasileiros.

* Texto: Bruno Dias Foto: Victor Balde

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