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Primeiro dia da SIM 2018 têm resistência, indie rock, Palestina, shows e sol





Após uma festa de abertura histórica e altamente politizada na quarta-feira, 5/12, com discursos e shows que repercutiram em várias conversas na PRO-AREA e no Espaço Oi LabSonica, estendendo-se inclusive para os painéis com declarações apaixonadas de convidados estrangeiros, o primeiro dia de conferências da SIM em 2018 presenciou o eco da palavra “resistência” soando em vários espaços do Centro Cultural São Paulo. Foi um dia de reflexão que, no entanto, não escondeu a alegria pelos (re)encontros, pela oportunidade de negócios e pelo planejamento cuidadoso e parceiro que busca driblar um futuro ainda incerto.

O painel de abertura, bastante concorrido, reuniu membros do Conselho Consultivo da SIM 2018 para debater o destino do Ministério da Cultura no futuro governo que assume o país no dia 01 de janeiro, um assunto tão complexo que dividiu o quórum da mesa, e merece um texto futuro ainda mais debatido sobre o tema. Dentre as opiniões dispostas no painel, salta a de Anderson Foca, do Festival DoSol, de Natal, no Rio Grande do Norte, pontuando que mais importante do que se preocupar com o destino do MINC é preciso que quem atue com cultura no Brasil "volte para as suas bases para criar ambientes de acolhimento", algo que, na sua opinião, se perdeu no último ano no país.

Na sequência, dentre as várias atividades ligadas ao DATA SIM na programação do dia (e de toda a SIM São Paulo 2018), a Sympla mostrou o mapa que realizou com os festivais no Brasil e a JLeiva apresentou dados da pesquisa “Cultura nas Capitais”, debatendo “como 33 milhões de brasileiros consomem música?”. Já a GPTW, outra parceira com ações em todos os dias da conferência, sob o lema “SIM For All”, trouxe os temas diversidade e o que as empresas precisam fazer para se tornarem um bom local de trabalho reunindo um grande número de pessoas.

Para delírio dos fãs de rock alternativo e do grunge, o Q&A em com o escritor Michael Azerrad e o baterista do Sonic Youth Steve Shelley foi recheado de grandes momentos. Azerrad relembrou quando Kurt Cobain visitou por diversas noites o quarto de hotel em que ele estava hospedado em Seattle para ler a prova final de “Come As You Are”, a única biografia do Nirvana com entrevistas com todos os integrantes da banda. “Tive que fazer assim porque não queria que outra pessoa interviesse na leitura”, comentou, sussurrando o nome de Courtney Love. "Kurt ia ler todo dia no hotel, chegava às 00h e ficava até às 3h. De vez em quando fazia uma pausa, nós comíamos cookie de chocolate e ele voltava para a leitura. Quando terminou a última página, fechou o manuscrito e me disse: ‘Essa é a melhor biografia de uma banda de rock que eu já li na vida’”.

Bastante à vontade, Steve Shelley falou que não costuma ler livros sobre o Sonic Youth, mas leu e aprovou "Nossa Banda Podia Ser Sua Vida" (que será lançado na SIM nesta sexta-feira, às 18h, no Jardim Sul), livro que traz, além do Sonic Youth, relatos de Mission Of Burma, The Minutemen, Black Flag, Husker Du, Minor Threat, The Replacements, Butthole Surfers, Big Black, Fugazi, Mudhoney, Beat Happening e Dinosaur Jr. Perguntando sobre o que andava ouvindo, o baterista disse que prefere reedições e que, neste momento, estava mergulhando no baú recém-aberto de raridades de Bob Dylan (o box “More Blood, More Tracks”) e Beatles (“White Album 50th”): “Gosto de acompanhar o processo de como eles fizeram esses discos”, confidenciou. Já Azerrad revelou que prefere bandas que cantem o “agora”, citando Dirty Projectors como uma das favoritas.

O show de encerramento da festa de abertura da SIM impressionou Michael Azerrad. “A francisco, el hombre é excelente! Eles estavam ali no palco dando uma declaração, mostrando um posicionamento político só por estarem ali", comentou. Quem também ficou impressionada com o show da francisco foi a artista palestina Rasha Najas: "Foi um show tão político! Eu havia chegado ao Brasil no dia anterior, e ver esse show me inspirou tanto. Havia um espírito revolucionário ali". Rasha, que conseguiu se destacar após um showcase de 15 minutos no Palestine Music Expo (e foi convidada para se apresentar no Glastonbory no mesmo ano!) fará três shows na programação noturna da SIM São Paulo (confira as datas).

Voltando a Sala Jardel Filho, um painel bastante interessante trazia representantes de gravadoras nacionais e internacionais, independentes e majors, para discutir um novo formato para um velho modelo de negócio. Uma das pautas da conversa foram os contratos 360 graus, que possibilitam que a gravadora também tenha rendimento com shows e merchandising de seus artistas. João Augusto, da gravadora Deck, disse que optou por não trabalhar com contratos 360 graus porque decidiu focar no A&R (área que busca talentos). "Não tem como eu chegar pra Pitty e dizer 'me dá 10% do seu show'. A gente tem uma relação de 8, 10 anos. Não há como mudar", ele conta. Para Alexandre Wesley (Som Livre), a oferta do 360 graus é como um pacote de investimento: "Chegamos para o artista e dizemos que queremos que ele ganhe muito mais, e, com isso, nós também. Por isso investimos. Não deixamos o A&R de lado porque a ideia sempre passa pelo artístico", comentou. Roberto Verta, da Sony Music, reforçou: "A nossa ética é a de ser um prestador de serviços para o artista. Desenvolvemos uma cama de serviços para o artista, para sermos parceiros, inclusive em shows".

a Sala Paulo Emílio, uma equipe do SummerStage Festival e da Live Nation falou sobre a vida noturna e cultural de Nova York. Já o painel da Mynd, bastante disputado, mostrou o case “construindo a imagem de um artista em 2018”. Na Sala de Ensaio I, integrantes da música eletrônica debateram diversidade, trabalho e inclusão na cena: Suzana Haddad, mentora junto de Anderson Loki do fenômeno Vampire Haus, “sente que falta interesse de patrocinadores” na festa. “Parece que o sujo, o louco, o transgressor, não atraem muito, mas são eles que estão fazendo arte espontânea”, opinou. Cacá Ribeiro, administrador de casas noturnas conceituadas, como Lions, Yacht e Club Jerome, aproveitou para pontuar que a música eletrônica é responsável por muitos postos de trabalho, o que não é valorizado: “Vamos fazer uma festa de confraternização no três clubes no final de ano e são 150 funcionários com carteira assinada! Isso é desconsiderado”.

SHOWCASES
O primeiro dia de showcases teve som para todos os gostos. Cada artista teve 20 minutos para se apresentar perante seus próprios fãs e o mercado da música brasileiro e mundial! Um bom público acompanhou os pocket shows de Júlia Branco, da uruguaia Alfonsina (que aproveitou as redes sociais para agradecer pela oportunidade e declarar seu amor a SIM São Paulo), os sulistas da Catavento e a impressionante moçambicana Selma Uamusse. Com público cativo fã, Filipe Catto e Plutão Já Foi Planeta fizeram shows concorridos enquanto a ÀTTOOXXÁ fez todo mundo rebolar e os rappers Mikki Blanco (USA) e Edgar (SP) mostraram porque são nomes badalados em suas cenas de origem. Um dia de música variada... e excelente. Sexta e sábado tem mais!

O Jardim Suspenso do Centro Cultural São Paulo recebeu diversas atividades dentro do Espaço Oi Labsônica no primeiro dia da SIM. Debaixo de um sol intenso de verão, os canadenses festejaram sua terceira participação na SIM com três shows, mais Budweiser e drinks da Jack Daniels para refrescar. “Estou muito feliz de estar com vocês aqui de novo, é a terceira vez que tenho a oportunidade de visitar a SIM SP”, falou o Embaixador do Canadá no Brasil, Riccardo Savone. Na mesma vibe, o coquetel de Portugal apresentou nomes da nova cena musical portuguesa como o guitarrista Filho da Mãe, o pop fantasia do Lavoisier e a sonoridade glacial de Surma. O sol já havia baixado, e a temperatura amena trouxe um público ainda maior para o Jardim, que permanecerá aberto (e gratuito) a todo o público durante todos os dias da SIM São Paulo 2018 (apenas a área de coquetéis é fechada aos credenciados). E para fechar, Tawiah fez um show intimista que combinou belamente com a chegada da noite. Foi-se o primeiro dia, mas nesta sexta-feira tem mais! Vem com a gente!

#ToNaSIM

* Texto: Marcelo Costa - Foto: José de Holanda
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