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Debora Schwammlein: “Os coletivos são uma forma de fortalecer um ao outro”





Por Rafaela Piccin

Produtora, DJ e pesquisadora musical, Debora Schwammlein concilia suas habilidades com planilhas, orçamentos e planejamentos e seu talento em agregar ideias a projetos coletivos . Produtora administrativa e financeira, ela estreia a série #BehindTheSIM, que conta a história das profissionais envolvidas na Semana Internacional de Música de São Paulo. 

A relação de Debora com a SIM foi, inicialmente, de flerte: tomou conhecimento da feira em 2016, pelas redes sociais, e ficou impressionada com a programação. Em julho de 2018, descobriu uma vaga para trabalhar na Inker (produtora que realiza o evento) e o match aconteceu. Hoje, além de cuidar dos assuntos administrativos do escritório, é responsável pela produçao da SIM Transforma, ação em parceria com as Fábricas de Cultura que realiza atividades para incentivar a produção cultural e musical nas periferias, conectando produtores e artistas das pontas da cidade a figuras da indústria d a música. 

SAIBA MAIS SOBRE A SIM TRANSFORMA 

“Por ser da periferia me identifico com a linguagem e com as necessidades de um jovem que deseja algo diferente para a vida dele. Muitos precisam apenas de alguém que dê um norte, pois têm talento e inteligência”, conta. Para ela, é muito importante produzir um projeto com a periferia e contribuir para o desenvolvimento da cultura nesses locais. Debora observa que as atividades promovem uma troca importante com os profissionais do mercado, não só levando conteúdo a artistas e produtores da periferia, mas também trazendo aos convidados bagagens e experiências muitas vezes inéditas em suas trajetórias. “Acho essa troca fundamental para que a distribuição do mercado da música seja justa, pois essas pessoas podem propagar e ajudar de forma mais efetiva do que o governo, por exemplo”.

Nascida e crescida em Pirituba, bairro periférico ao norte de São Paulo, inevitavelmente teve forte influência dos Racionais MCs. Mais tarde, em sua carreira de produtora, confessa que uma das histórias mais marcantes foi produzir o show do Projeto Coisa Fina, que tem o DJ KL Jay como integrante, no Festival Órbita. O meio da música conecta.

Em 2010, de tanto frequentar o Centro Cultural Popular Consolação (CCPC) na festa Pressure Drop, para curtir a discotecagem de reggae em vinil todas as terças-feiras, ofereceu-se para escrever os releases da programação semanal e foi selecionada. “Comecei a trabalhar com música e me envolver mais com o Centro Cultural fazendo a produção dos eventos, organizando o espaço e fazendo parte da curadoria também. Achei ali o que queria fazer como profissional: trabalhar organizando eventos”, conta.

Formada no Curso Técnico de Eventos da ETEC Santa Ifigênia, também passou pelo time da Solano Produções, sendo assistente de produção do cantor pernambucano Otto. “Nesse meio tempo comecei a colecionar discos de vinil e fui convidada para tocar numa festa em Osasco. Dessa festa nasceu um coletivo que, na época, se chamou Ferro na Boneca (em homenagem aos Novos Baianos), o que fez com que eu começasse a me especializar na pesquisa de músicas e na discotecagem”. Depois disso nasceram outros coletivos: Mulheril, Festa Pitangueira e os que Debora integra até hoje, como a Festa Domingaz (residência mensal na Fatiado Discos, com as DJs Gabi Pensanuvem e Cecília Nunes); o coletivo Cesta (festa mensal na Erva Doce Produções, com DJ Gabi Pensanuvem, Cecilia Nunes e Ivisson Cardoso a.k.a. DJ MeuCaroVinho); e o Festival Órbita (no qual é fundadora junto com Gabi Pensanuvem, que acontece há cinco anos na Casa das Caldeiras, totalizando 13 edições). 

Em sua visão, alguns dos maiores desafios da profissão estão ligados à continuidade dos projetos, às estruturas que cada um precisa para se sustentar - especialmente quando são independentes e esbarram na questão financeira. “Vai muito da resistência e resiliência de quem faz”, comenta, aproveitando para destacar a importância do coletivo. “Eles se fortalecem, se constroem e seguem com os projetos”. 

Quando o assunto é fortalecer, a música também ocupa este espaço em sua vida - afinal, a ligação de Debora com a música é intensa porque é literalmente umbilical. Sua mãe, quando grávida, frequentava os ensaios da escola de samba na qual seu pai era percussionista, originando, sem saber, uma conexão muito forte com os ritmos e graves para sua filha. Em casa, além do samba, teve contato com o rock psicodélico pela mãe, com o jazz e da música instrumental pelos avós, com sertanejo e Raul Seixas pelos tios, e a cultura da rua, do rap, reggae e música eletrônica atribui ao seu irmão. Então, quando ela diz que a parte mais gratificante de trabalhar na área é ter adquirido conhecimento e ter a oportunidade de realizar a manutenção da memória afetiva e da sensibilidade, também é sobre suas raízes de que fala.

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