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Estreia do SIM Drops debateu a importância estratégica de dados para a música





A primeira edição do SIM Drops, projeto que prevê encontros esporádicos para falar de música nos meses que antecedem a SIM São Paulo, teve como foco o DATA SIM. Realizado no Itaú Cultural na última segunda-feira, 10 de junho, o evento reuniu público diverso e interessado em entender a importância de dados e números como estratégia para o desenvolvimento da indústria da música. Além de estudos do núcleo de pesquisas da SIM e de seus parceiros, o SIM Drops: especial DATA SIM debateu o cenário político e cultural atual, suas dinâmicas em constante mudança, além de questões identitárias, de representatividade e da busca por um mercado mais justo e igualitário.

A diretora da SIM São Paulo, Fabiana Batistela, abriu o evento, às 11h, ao lado de Dani Ribas, diretora do DATA SIM, e dos representantes da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, Leo Madeira, assessor do gabinete, e Heloisa Aidar, coordenadora de programação, sinalizando a abertura e o cuidado em apoiar iniciativas culturais e o setor da música em São Paulo. Leo e Heloisa comentaram os números da 15ª edição da Virada Cultural que demonstram impacto econômico impressionante: com investimento de cerca de R$ 19 milhões, o tradicional evento da capital paulista levou às ruas mais de 5 milhões de pessoas e retornou à cidade R$ 235 milhões (veja mais dados na fonte). “Quando há vontade política, as coisas acontecem”, disse Leo Madeira, lembrando ainda o aspecto simbólico e intangível da cultura: “Nosso país tem a característica fundamental de ser multicultural e plural, e a nossa intenção é incentivar esse aspecto democrático da cultura”. 

O ponto foi reiterado por Dani, que ressaltou o valor da cultura na construção do soft power que influencia o posicionamento do país em esferas econômicas e políticas internacionais. A diretora do DATA SIM reforçou ainda que informações organizadas são fundamentais para provar a potência do setor: “É necessário conhecer os dados para rebater a criminalização do setor. Os números fazem com que a gente tenha armas para mostrar que nosso setor é forte e potente. E além do retorno financeiro, temos que analisar o quanto a cultura devolve para o país em desenvolvimento humano e da sociedade”.

A seguir, às 11h30, Fabiana e Dani apresentaram a primeira parte da pesquisa O Mercado da Música na Cidade de São Paulo: Espaços para Música ao Vivo, com Carina Shimizu (JLeiva Cultura & Esporte), Beatriz Araújo (Natura Musical, patrocinador da pesquisa), Pena Schmidt e Suyanne Keidel (Casa Natura Musical). A pesquisa está disponível em datasim.info e traz dados sobre o mercado ao vivo na capital paulista, como critérios de curadoria, estratégias de divulgação, questões de acessibilidade, valor médio de ingresso, remuneração para os artistas etc.

Além de expor a metodologia e informações apuradas, os convidados debateram a cidade como um hub cultural do Brasil e do mundo, já que a pesquisa indica grande abertura das casas da cidade para bandas de outros estados e países. Para Dani, as informações ajudam, entre outros fatores, no planejamento de turnês, o que reflete na viabilidade da circulação dos artistas e na formação de público. As mudanças na comunicação e divulgação de trabalhos artísticos causados pela tecnologia também foram pauta desta conversa. Pena Schmidt falou da importância de casas e festivais para a renovação da música brasileira: “Nesse circuito se formam artistas que não estão na TV nem no rádio, mas que têm público fiel”. 

Fabiana Batistela finalizou o debate explicando o papel desses dados no planejamento de políticas para a cultura, citando o exemplo de consultorias internacionais como a Sound Diplomacy, que inspiraram a criação do DATA SIM e atuam em diversas cidades do mundo. “Eles trabalham em cima de dados que recebem para criar estratégias. Nosso objetivo, nesse momento, é fornecer dados confiáveis para orientar governos e empresas a se mobilizarem para pensar em suas próprias estratégias”, disse.

Após o almoço, às 14h, Ricardo Meirelles e Samuely Laurentino, da JLeiva Cultura & Esporte, apresentaram a pesquisa Cultura nas Capitais: Música, que coletou dados sobre o consumo cultural em 12 capitais brasileiras e está disponível na plataforma interativa. Também participaram do papo o gerente do núcleo de música do Itaú Cultural, Edson Natale, e os jornalistas Roberta Martinelli e Alexandre Matias. A apresentação focou nos dados sobre o consumo de música mostrando diferenças de preferências por faixa etárias, classe social, etnias e gênero. 

A frequência de homens e mulheres em shows (e outras atividades culturais) rendeu discussão para justificar os oito pontos percentuais de diferença. Segurança, menos tempo para o lazer, responsabilidades da maternidade e outras obrigações que, historicamente, recaem mais sobre as mulheres foram algumas das hipóteses aventadas. A produtora pernambucana Tássia Seabra, da Aqualtune Produções, foi convidada a subir da plateia para o palco e levar sua experiência enquanto mulher negra para a discussão, em uma participação fundamental para o enriquecimento da conversa, recheando dados quantitativos com informações e percepções que só a vivência traz.

O próximo tema abordado foi a pesquisa Mapa dos Festivais de Música do Brasil, realizada pela Sympla em parceria com o DATA SIM. Karla Megda, representante da Sympla, e Dani Ribas, conduziram o público por dados que mostram a distribuição dos festivais brasileiros ao longo do ano e por regiões, os gêneros musicais que se destacam entre as atrações, o ticket médio, crescimento de público, entre outros. Tomás Bertoni, diretor do Festival Coma, também presente na mesa, agregou ao papo com sua vivência como produtor de eventos em Brasília. Gustavo Danelli, da TNT Energy Drink, trouxe o olhar de uma marca que apoia o circuito de música ao vivo: “Estar em um festival pode ser muito interessante. A jornada do evento é longa e permite ao público ter várias experiências ao longo do dia”. Sobre parcerias e patrocínios que facilitam a realização de eventos, Dani ressaltou: “Estes dados têm como objetivo não só profissionalizar o setor, mas fornecer melhores elementos para que os investimento venham de maneira mais certeira”.

A última mesa do SIM Drops: especial DATA SIM se debruçou sobre a presença feminina no mercado da música, com Dani Ribas, Renata Gomes (DATA SIM/WIM Brasil), Raquel Lemos (WIM Brasil), Sabrina Cândido (British Council/Projeto ASA) e Luciana Adão (Oi Futuro/Projeto ASA). Raquel Lemos falou do trabalho da Women In Music (WIM) no Brasil, organização cujo objetivo é construir uma rede de apoio para mulheres que trabalham na música, com atividades de formação, networking, etc. Raquel também apresentou dados da pesquisa  “Women In The U.S. Music Industry: Obstacles And Opportunities”, parceria da Berklee College of Music e WIM, que escutou 2000 mulheres em 2018 para entender o cenário nos Estados Unidos, e é base para a compatibilização da pesquisa do DATA SIM Mulheres na Indústria da Música no Brasil: Obstáculos, Oportunidades e Perspectivas

Foram apresentados dados parciais do estudo que conta com 254 respondentes até o momento. Por enquanto, há a concentração de respostas do Sudeste (72,4%), de etnia branca (quase 70%), e o levantamento mostra que 78% das mulheres não têm filhos e a grande maioria possui ensino superior completo, mostrando a continuidade da tendência identificada na pesquisa norte-americana de profissionais super qualificadas e o embate entre carreira profissional e interesses pessoais. A meta é chegar a 500 mulheres, abrangendo diferentes regiões do Brasil, tempo de carreira e áreas de atuação dentro do mercado da música, classes sociais e etnias. A pesquisa, que busca radiografar o espaço das mulheres no mercado brasileiro, ainda está recebendo respostas em datasim.info

Renata Gomes, gerente de projetos do DATA SIM e integrante da WIM Brasil, sintetizou: “A pesquisa traz dados para que a gente possa refletir sobre como fazer mudanças. A hashtag que resume o dia de hoje é #transformação”. Para ela, que discorreu sobre a importância de as mulheres lutarem para ocupar os espaços, o impacto que o feminismo trouxe perpassa o social, o cultural e vai pro econômico também, com a geração de empregos. “O feminismo transformou a economia”, disse.

Iniciativa do British Council em parceria com o Oi Futuro, o Projeto ASA (Arte Sônica Amplificada) foi apresentado por Sabrina Cândido e Luciana Adão. Elas retomaram o histórico da primeira edição do projeto, que em 2018 reuniu 50 mulheres das mais diferentes áreas do mercado da música para impulsionar carreiras, criando uma comunidade e oportunidades de networking em atividades no LabSonica, no Rio de Janeiro. “A gente tinha uma ideia de que podia ajudar a desenvolver algumas habilidades, mas não queríamos criar um curso e, sim, oportunidades para que elas se conectassem e criassem projetos juntas”, lembrou Sabrina, anunciando que a segunda edição do projeto está recebendo candidaturas em britishcouncil.org.br

Foi um dia repleto de conteúdo e dados com participação ativa da plateia, que trouxe questionamentos pertinentes, compartilhou experiências, em busca de novas perspectivas para o setor. Dani Ribas sintetizou a primeira edição do SIM Drops injetando vigor nos participantes e sugerindo: “Números não resolvem problemas, mas a gente tem que ir atrás deles”. Fabiana Batistela encerrou as atividades agradecendo a todos presentes e convocando as mulheres a apoiar a pesquisa do DATA SIM, em discurso sobre a importância da representatividade e luta por espaço, principalmente para as mulheres.

Veja fotos da primeira edição do SIM Drops: especial DATA SIM:

Crédito: Victor Balde


SIM Drops: especial DATA SIM // Itaú Cultural // 10 de junho de 2019
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