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FIMS chega à 3ª edição reforçando a importância das feiras regionais





Por Dani Ribas


A vida de uma pesquisadora da música não é apenas estar com a cara enfiada nos livros e na tela de um computador construindo gráficos. Uma parte muito importante do trabalho é conhecer na prática o terreno pesquisado. E por isso é fundamental participar de feiras, festivais e mercados. Esses eventos são importantes para todos os profissionais da cadeia produtiva da música.

Para artistas, as feiras são vitrines especiais para um público especializado repleto de compradores e profissionais que lançam tendências. Para os profissionais, em qualquer estágio da carreira, as feiras são fonte de atualização e de networking, elementos fundamentais para a atuação numa área em constantes reconfigurações. Entre artistas e profissionais, negócios e contratos começam a se delinear nesses eventos, e o resultado não tarda em aparecer.

Mas para uma pesquisadora, é essencial entender como essas oportunidades são geradas na prática e como elas se materializam ao longo do tempo. A economia criativa, de bens intangíveis que dependem da experiência, começa nas feiras de música. Nesses espaços uma conversa olho no olho pode render mais que meses de trocas de e-mails. Um speed meeting, uma palestra, ou uma simples cerveja durante um show podem gerar demandas de trabalho para o ano todo.

Este ano já foram muitas feiras e ainda faltam algumas antes do ano terminar. Comecei o ano no SXSW, passei pelo MIL, Music Cities, Contato e FimPRO

Na última semana fui para a FIMS – Feira Internacional de Música do Sul, realizada em Curitiba (Paraná). Téo Ruiz, Diretor Geral da feira, abriu o livreto de programação com a seguinte mensagem, testemunho do tempo em que vivemos:

“Em tempos difíceis não podemos ser tão fáceis. Acabamos tendo que matar as coisas no peito, cobrar escanteio e ir pra área cabecear mais do que o normal. E também mostrar nossas convicções, ideias e pontos de vista de forma mais enfática, e não tolerar preconceitos e desrespeitos de forma mais enérgica ainda. É assim que a banda toca. Ação e reação. Gangorra, sobe e desce. Dois passos pra frente e um para trás, é assim que caminha a humanidade segundo alguns pensadores. Nosso trabalho na cultura deve ser cada vez mais intenso, mais próximo, reflexivo, caseiro e cuidadoso para superar a imagem de "inimigos da nação" que muitas vezes paira sobre nossas cabeças. Por mais dolorido que seja esse passo para trás, não só a terceira edição da FIMS mas outras feiras, festivais e eventos mantém o remo na água para ajustar o curso da canoa. É neste espírito que recebemos os convidados e participantes nesta edição, com toda dedicação e carinho de sempre, mas com um olhar atento e chamando para a reflexão sobre nosso novo papel, e quais novas ações podemos pensar para transformar a canoa em um novo navio"

O mercado de Curitiba e do Paraná de maneira geral é a porta para a produção do Sul do país, que por sua vez é uma das principais conexões brasileiras com a música cantada em espanhol. É de lá que vem Tuyo, por exemplo, destaque na cena nacional e que se apresentou nos showcases da SIM 2018. É de Curitiba também que vem A Banda Mais Bonita da Cidade, que tocou nos showcases da FIMS divulgando seu terceiro disco de estúdio “De Cima do Mundo eu Vi o Tempo”. Aliás, que show. Pirei quando tocaram Trovoa (do Maurício Pereira). O quarteto instrumental Yangos, do Rio Grande do Sul, também foi um destaque dentre os showcases.

Já nas mesas de debates, os destaques vão para “As antigas e novas dificuldades de se lançar um álbum independente” (com Lio Soares, Luciana Simões, Pena Schmidt, Iuri Freiberger e Madu); “Mídias furando bolhas: o papel da pesquisa musical na era da infobesidade” (com Patricktor4, Fabi Pereira, Tony Aiex, Melina Hickson e Tati Ayres); e “Música Brasileira com Z: o que se espera da música Brasileira no exterior” (com Raína Biriba, David McLoughlin , Filip Kostalek e Juliana Cortes). Mais uma vez apresentei um pouco do que o DATA SIM vem fazendo na palestra “DATA SIM e suas primeiras pesquisas: a importância de dados e informações confiáveis para o desenvolvimento do mercado da música”. Alguns workshops também foram sucesso de público, como por exemplo “Como conseguir apoio para seu projeto gerando valor para marcas e empresas”, com Renata Gomes.

Medir qual é o valor da cadeia dos produtos e serviços gerados por esse setor é um desafio. Isso não pode ser feito sem que se conheça as conexões do mercado e como elas se formam nas feiras de negócios. Todas as cenas são importantes, independentemente do seu tamanho. As cenas nacionais só se formam com a conexão entre as cenas locais, e isso é feito justamente nas feiras.


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