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África, Europa e América Latina se encontram no MAPAS em Tenerife





Por Dani Ribas

 

As Feiras ou Mercados de Música seguem sendo vitais para a construção de redes de trabalho. Realizado há tres anos em Tenerife, o MAPAS – Mercado de Artes Performáticas do Atlântico Sul é um bom exemplo de como essas redes podem ser construídas entre continentes e linguagens artísticas diferentes (música, teatro, dança).

Tenerife, nesse sentido, é um lugar privilegiado: mesmo sendo território espanhol – e, portanto, parte da União Europeia – a ilha está mais próxima da Costa Africana do que do continente europeu, além de ter forte ligação com a cultura latinoamericana. Essa localização estratégica permite que ali se expressem diversas tradições culturais, tornando a ilha um lugar ideal para a realização de um Mercado de Música de alcance global.

A primeira atividade de que participei foi uma reunião fechada com diversas redes de trabalho ibero-americanas, entre elas INAMUOEI, SEGIB, REDELAE, IBERMÚSICAS, IBERESCENA, European Forum World Festival, REDESCENA, ADGAE, MMF Latam, ADIMI e GLOMNET. Representei a rede SatéliteLat de Mulheres da Indústria da Música Latino-americana, ressaltando a importância da equidade de gênero não apenas para visibilizar a participação feminina nesses espaços, mas também para provocar mudanças estruturais e permanentes para um mundo mais justo. A música tem, sim, essa responsabilidade e é urgente assumi-la.

Ainda representando o SatéliteLat, participei ainda da mesa “O papel das Redes. O que podemos fazer juntos, o que não podemos fazer sós?”, com Noela Salas (Asociación para el Desarrollo de La Industria de la Música Iberoamericana, ADIMI); Norka Chiapuso (Red Eurolatinoamericana de Artes Escénicas, REDELAE); Cedric David (Asociación Latinoamericana de Managers Musicales, MMFLATAM); María Sánchez, Red de Teatros y Auditorios de España, REDESCENA);  Zaida Rico (IBERESCENA); Paula Rivera (IBERMÚSICAS), com moderação de Octavio Arbeláez (Circulart, MAPAS). Continuamos a conversa da reunião anterior e a compartilhamos com o público. Apresentei alguns dados referentes à equidade de gênero na pesquisa “Mercado de Música na Cidade de São Paulo – Parte 1 – Espaços para Música ao Vivo”. Por exemplo: do total de espaços identificados na pesquisa, apenas 36% dos respondentes são mulheres, e 64% são homens. Dentre essas mulheres que responderam, 40% têm pós-graduação, enquanto entre os homens o percentual é de apenas 13%. Quando os espaços de música ao vivo são comandados por homens, a proporção de trabalhadores é de 37% mulheres e 63% homens. Já quando esses espaços são comandados por mulheres, essa distribuição é mais equilibrada: 51% dos trabalhadores são mulheres e 49% são homens.

Também participei da mesa “SatéliteLat nas Artes Performáticas Latinoamericanas”, que também contou com a participação das mulheres-nós da Argentina (Paula Rivera, INAMU), Chile (Noela  Salas, IMESUR) e Equador (Fabíola Pazmiño, Teatro Nacional), além de Daniela Bosé (MIM – Mujeres da Industria da Musica, Espanha) e María Isabel Delgado (Plataforma de Mulheres na Cultura, Ilhas Canárias). O compartilhamento de experiências entre tais países e o vínculo criado a partir de então foi fundamental para pensarmos em estratégias comuns de atuação capazes de fazer frente aos atuais desafios do mercado.

Além dessas mesas, fiz reuniões rápidas (ou speed-meetings) com cerca de 15 artistas das Ilhas Canárias, da Europa continental, África e América Latina. Essas reuniões servem para que artistas divulguem seu trabalho para os programadores de outros mercados, e para que os programadores mostrem o conceito de seus festivais e seus critérios de seleção. Essa é uma parte bem importante das Feiras ou Mercados de Música, juntamente com os showcases, pois é a partir daí que contratações artísticas costumam ser feitas.

Também pude trabalhar presencialmente com os profissionais e gestores que realizam esses eventos, para pensarmos em estratégias comuns para este segmento da cadeia produtiva da música. Destaco as reuniões feitas com diretores da Circulart (Colômbia) e com o governo das Ilhas Canárias, que esteve presente na SIM 2018 com uma comitiva de dez empresas dispostas a levar artistas brasileiros para aquele mercado.

Feiras são experiências concentradas que exigem muito trabalho prévio e também posterior ao evento. O pós-feira on-line é essencial para dar continuidade aos contatos feitos durante o encontro presencial. Se você pretende ir à SIM São Paulo 2019 anote essa dica: trabalhe bastante também após o evento, que certamente seu trabalho renderá frutos positivos.

#TeVejoNaSIM
#SIMConecta

 

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