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Nina Bamberg: “a música une e comunica com as pessoas como nada no mundo”





Por Rafaela Piccin

O quinto capítulo da série #BehindTheSIM, que conta a história das profissionais envolvidas na Semana Internacional de Música de São Paulo, entrevista Nina Bamberg, uma das coordenadoras das Noites da SIM.

 

“Nunca existiu uma ocupação simultânea de casas de show como a que foi criada dentro da SIM” diz Nina Bamberg, uma das responsáveis pela coordenação da programação noturna que acontece durante a feira em diversos espaços para a música da capital paulista. Em 2018, foram mais de 400 shows em 100 noites espalhadas por 45 casas dos mais variados portes, sendo algumas delas os principais palcos de São Paulo. No total, cerca de 35 mil pessoas circularam por esta programação.

A responsabilidade de coordenar estas noites é muito grande: compreende desde o mapeamento dos espaços para show em São Paulo, contato com produtores, bandas e casas, recebimento e avaliação das propostas e a ponte entre o proponente do evento e os espaços parceiros, para alocar cada proposta no espaço melhor adequado a ela e dar apoio para que, no dia, tudo aconteça da melhor forma possível e ofereçam, ao público, aos produtores e artistas envolvidos, experiências únicas.

“A grande maioria das casas recebe bandas que não conseguiria receber em outras situações ou conecta com produtores de outros cantos. Isso acaba virando uma rede de contatos, ideias, oportunidades. Acho que a programação das noites ficará registrada na história da música brasileira para sempre como um momento de conexões”, comenta.

A relação de Nina com a música data de bastante tempo: da adolescência, quando morava em Florianópolis e escrevia matérias sobre a cena independente da região, passando pelo período em que morou na Paraíba, em 2010, quando teve contato direto com as cenas do Nordeste e a potência dos espaços culturais, até chegar a São Paulo, em 2013, onde se estabeleceu profissionalmente. “[Na Paraíba] Conheci muitas bandas, circulei por muitos lugares e tive contato pela primeira vez com a força de uma política de cultura do Estado sendo feita de um jeito bom. O Chico César era o Secretário Municipal de Cultura e a gestão da Prefeitura queria cada vez mais fortalecer a cultura local e trazer coisas de fora”.

Já na capital paulista, lugar a que veio buscando viver de produção, se viu trabalhando numa área que ainda não tinha imaginado para si: programação de casa de show independente. Cuidou da agenda do Puxadinho da Praça, em 2014, momento importante para as casas de São Paulo, com o surgimento de muitos novos espaços e a necessidade de união e organização se mostrava cada vez mais necessária. Nasceu, então, o coletivo P10, formado por Casa de Francisca, Casa do Mancha, Casa do Núcleo, Central das Artes, Centro Cultural Rio Verde, Espaço Cultural Puxadinho da Praça, Serralheria Espaço Cultural, Mundo Pensante, Epicentro Cultural e Zé Presidente. “Esse contato com as casas me deu uma visão muito melhor sobre o panorama nacional das bandas, dos comportamentos de público, coisas assim. Foi um momento muito importante da minha carreira porque me colocou em contato instantaneamente com dezenas, talvez centenas de produtores e artistas e me colocou pra dentro do mercado oficialmente”, conta.

Com certo tempo de carreira e muita bagagem acumulada, Nina vê brechas no mercado brasileiro da música no momento atual, como a falta um mercado intermediário bem estruturado, como opção ao independente iniciante e aos gigantes de rádio, TV e gravadoras. “A falta de apoio e recurso público para a cultura brasileira é simplesmente uma lástima, porque estamos num país com um dos maiores potenciais do mundo em termos artísticos e o Estado tem optado por ignorar isso. Acredito que as indústrias criativas todas terão obrigatoriamente que se reestruturar e se reformular para essa nova realidade” diz, aberta a ideias e mudanças.

Nina também já atuou como produtora em outras áreas, mas sempre teve a música no radar dos afetos e dos trabalhos: “Nos últimos sete anos, a maioria dos trabalhos que realizei foi música e isso me deixa muito feliz. Não é um mercado fácil e muitas mudanças políticas tiveram impacto direto ou indireto, mas a música une e comunica com as pessoas como simplesmente nada no mundo. A sensação de fazer parte disso é realmente muito boa”.

 

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