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Funk, América Latina e identidade cultural marcam primeiro dia da SIM 2019





Foto: Hannah Carvalho

 

A sétima edição da Semana Internacional de Música de São Paulo iniciou suas atividades diurnas nesta quinta-feira, 05 de dezembro, no Centro Cultural São Paulo. 

O pontapé inicial foi dado com um keynote de abertura realizado na Sala Jardel Filho, que contou com a presença de Alexandre Youssef, secretário municipal de Cultura de São Paulo, em um bate papo com o jornalista Camilo Rocha e Samantha Almeida, da agência Ogilvy/SP. Reforçando a importância da cultura como eixo central de desenvolvimento econômico e social de um governo, Youssef comentou ainda os recentes casos envolvendo bailes funk. O secretário anunciou ainda a realização do festival “Funk da Hora”, nos dias 14 e 15 de dezembro, em Heliópolis, ressaltando a importância de políticas públicas que reconheçam o estilo musical, reforcem artistas locais e respeitem os moradores de áreas onde são realizados os chamados pancadões. 


Um dos momentos mais esperados da convenção, o Q&A: Cláudia Assef entrevista Konrad Dantas (Kondzilla) começou com o produtor contando um pouco de sua trajetória e de suas referências estéticas, vindas principalmente de clipes de hip hop. Konrad também destacou a repressão que o funk vem sofrendo desde sua origem, citando a ação policial no baile da DZ7, em Paraisópolis, no último domingo, que terminou com 9 jovens mortos e 12 feridos. Em nota positiva, o criador do maior canal de funk do Youtube, contou que a presença feminina no gênero tem crescido exponencialmente e que as mulheres estão “dominando o funk”. 

Na mesa “Combustão Latina, um continente em transformação”, realizada na sala Oi Labsonica, a discussão girou em torno das manifestações que tem movimentado o continente sul-americano, e como isso vem afetando o mercado musical em cada país. Com representantes de países como Argentina, Colômbia, Chile, Peru e Brasil, a mesa discutiu como as manifestações no Chile vem provocando o cancelamento de eventos como o festival Fluvial e inviabilizaram o mercado de shows pagos no país, mas ao mesmo tempo abriu a possibilidade para que artistas possam se apresentar na rua e em pequenas cidades, gratuitamente, atingindo públicos novos. Apesar dos conflitos deflagrados na região, foi consenso na mesa que a América Latina se interessa pelo mercado brasileiro de música e vem buscando maneiras de entender como ele funciona. 


Mulheres no mercado de música
O primeiro dia da SIM São Paulo foi o palco para uma primeira apresentação da pesquisa “Mulheres na Indústria da Música no Brasil: Obstáculos, Oportunidades, Perspectivas”, com a participação de Dani Ribas (Data SIM), Renata Gomes  (Data SIM), Cris Falcão (WIM Brasil) e Ciça Pereira (Zeferina Produções), além da cantora Fernanda Abreu, na Sala Jardel Filho. 

A ser divulgada na íntegra em janeiro de 2020, a pesquisa aponta que a maioria das mulheres no mercado de música é branca, cis-gênero, com entre 31 e 35 anos, e enfrenta um cenário de alto grau de informalidade. “Apesar de não ser a realidade da população brasileira, a pesquisa espelha a invisibilidade da mulher negra no Brasil”, comentou Ciça Pereira. “É uma tradução do que é o Brasil. Fica clara a invisibilidade do negro na sociedade”, reafirmou Fernanda Abreu. “O objetivo da pesquisa é visibilizar coisas que a gente sabe que acontecem no mercado, mas não tem como demonstrar para quem não vive esta situação”, explica Dani Ribas. 

A questão da cultura nas origens étnicas foi o tema principal da mesa “Herança Musical: Movimentos migratórios e fusões artísticas”, que contou com a participação dos artistas Kunta Kinte (Conexão Diáspora/Senegal), Bia Ferreira (SE/RJ), ELSZ (Austrália) e Sebástian Piracés-Ugarte (Francisco, El Hombre/México). Muito emocionante, realizada na sala Oi LabSonica , a discussão falou sobre raízes, representatividade e amor, tendo como pano de fundo o racismo institucionalizado, deslocamentos populacionais e a falta de oportunidades regionais para cultura. “Até quando? O que falta para a gente conseguir viabilizar a arte localmente, sem precisar fazer um processo migratório?”, questionou Bia. 

Outro destaque do dia ficou por conta da mesa “Inovação Através de Novas Tecnologias e Práticas Emergentes - ASA (Arte Sônica Amplificada)”, também realizada na sala Oi LabSonica, a mesa debatia os desdobramentos da iniciativa do British Council com o Oi Futuro, em parceria com as instituições britânicas Lighthouse e Shesaid.so, que visa impulsionar a arte sonora feita por mulheres e aumentar a atuação feminina em toda a cadeia criativa da música.
Com a participação de Andreea Magdalina (SheSaid.So/UK), Emily Kyriakides (Lighthouse/UK) além da artista britânica Natalie Sharp/Lone Taxidermist, e a futurologista britânica Amelia Kallmann, as participantes falaram sobre colaboração entre mulheres, potência feminina, como a produção artística vem desenvolvendo novas tecnologias e os reflexos disso na produção cultural e no mercado consumidor nos próximos anos. 

Já na Sala de Ensaio II, com a presença de Marcos Túlio Aguiar, Brisa Flow
Diego Perez e Patricktor4, a mesa “Música Indígena Contemporânea do Brasil E América Latina” discutiu a produção cultural indígena, que vai muito além de cantos e rezas de rituais tradicionais. “Enquanto a música indígena ficar segmentada como um estilo diferente, vai seguir invisível ao público”, afirmou a artista Brisa Flow, que é cantora, musicista, compositora, poeta, performer, produtora musical, ativista e um dos principais expoentes do futurismo indígena no Brasil.. “A gente precisa decolonizar. A gente precisa de uma retomada de espaço, e é uma retomada de luta. A Arte é o melhor caminho para hackear”, completou. 

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