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Fabiane Pereira: “Nosso mercado precisa aprender a ouvir mais”





Por Izabela Delfiol

 

Continuamos com a série #BehindTheSIM, que conta a história dos profissionais envolvidos na Semana Internacional de Música de São Paulo. No décimo quinto capítulo, entrevistamos Fabi Pereira, jornalista a frente do canal Papo de Música, apresentadora do programa FARO MBP e Palco Brasil, colunista na Veja Rio e membro do Conselho Consultivo da SIM.

Para que novas músicas e tesouros perdidos cheguem a cada vez mais ouvintes o papel da imprensa, em diferentes formatos, é fundamental. Ajudar a difundir uma produção tão rica e diversa, conectando o público com novos artistas e obra, é um desafio e tanto e se alguém pode falar dessa relação tão importante, é Fabiane Pereira. A jornalista apresenta o programa FARO MPB na Mood FM e o Palco Brasil, na rádio portuguesa Marginal, está à frente do canal no YouTube Papo de Música, assina coluna na Veja Rio e participa do Conselho Consultivo da SIM São Paulo há três anos. 

Fabiane começou a trabalhar com música ainda durante a faculdade, estagiando no departamento de assessoria de imprensa e digital da Sony Music. Depois, levou sua voz para o rádio, que foi sua grande escola. “Assim que me formei, em 2004, fui trabalhar na rádio carioca MPB FM e lá fiquei por 13 anos até o encerramento do dial. Foi na MPB FM que virei jornalista musical porque diariamente entrevistava diversos artistas. Nesta época, conheci praticamente todos os grandes nomes da música brasileira e vi surgir vários outros artistas que hoje estão estabelecidos na cena”, conta. 

Frequentadora da SIM São Paulo desde a segunda edição, a conselheira descreve a convenção como um agregador do mercado brasileiro de música e conta que “participar da feira como parte do conselho é uma experiência interessante porque permite que eu entenda um pouco do funcionamento de um mercado que é imenso em que contribuo apenas dentro de um segmento, o da comunicação.” 

Fabiane acredita que a SIM desempenha um papel importante na relação entre artistas e imprensa: “Acho importantíssimo que profissionais de comunicação (jornalistas, em especial) inseridos no mercado da música entendam que são parte fundamental do ecossistema.  A SIM tenta estreitar essa relação de uma maneira interessantíssima promovendo pockets shows, espaços de diálogos, painéis de discussão. Acho que nosso mercado precisa aprender a ouvir mais e o evento é uma oportunidade de ouro pra isso”.

Papo de Música, canal da jornalista no YouTube focado em entrevistas com artistas de diferentes gêneros musicais, oferece um novo olhar sobre a música contemporânea mas, segundo ela, existem várias dificuldades ao produzir esse tipo de conteúdo. “Pra mim, o grande desafio é me aproximar de marcas produzindo o conteúdo que produzo. Tenho a impressão que a maioria das marcas estão preocupadas exclusivamente com números e não com a qualidade do conteúdo produzido e isso dificulta muito a nossa sobrevivência”, explica. 

Fabiane comenta também as diferenças que notou entre o mercado brasileiro e o português durante os anos que passou fazendo mestrado: “Há diferenças significativas em relação a atuação do mercado nacional e internacional. Morei em Portugal por dois anos enquanto cursava um mestrado e acompanhei de perto os subsídios dados pelas empresas públicas e privadas aos produtores de conteúdo digital, aos produtores de eventos e aos artistas. Além do maior entendimento do público em relação a consumo de conteúdo e geração de receita”.

Frente à pandemia e às mudanças impostas ao mercado de música e entretenimento ao redor do mundo, a jornalista acredita processos que já estavam em andamento estão sendo acelerados. “Muita gente (principalmente os moradores das grandes metrópoles do mundo) já vinha deixando de sair pra ficar mais em casa e, consequentemente, consumir mais conteúdo online. Essa demanda por conteúdos online é uma oportunidade no meio da crise. Claro que quem já tinha isso como ‘negócio’ sai na frente, mas ainda assim é muito difícil conseguir gerar receita já que as marcas ainda têm pouca verba direcionada exclusivamente pro digital”, comenta. 

Para ela, o ajuste ao “novo normal” vai levar tempo: “Não acredito que o mercado de música ao vivo como conhecíamos (milhares de pessoas assistindo a um show em um lugar fechado) volte este ano. O período de retomada será longo e teremos, todos do ecossistema da música, que nos adaptar muito”. 

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