Saiba como foi o segundo dia da SIM 2017

Postado por SIM São Paulo em

Com um número de credenciados muito maior circulando pelas dependências do Centro Cultural São Paulo, a SIM 2017 celebrou na sexta-feira (10) seu dia mais tecnológico, com diversos painéis e palestras abordando o tema, mas sem tirar os olhos (e ouvidos) da música. Em um dia de tantos pontos positivos na feira, a nota destoante foi a ausência do Secretário Municipal de Cultura de São Paulo, André Sturm, que iria participar de um Q&A com Didi Couto (TV Cultura), mas cancelou sua participação.

Logo na abertura do dia, o Pitch de Startups de Música e Tecnologia que foi agregado a SIM em 2016 dobrou de tamanho e qualidade. A mesa composta por profissionais da Unideias, Sympla, Escritório Lilla Huck Otranto e Camargo, Aceleradora ACE, Fleury/T System, ACELERARTE e INSPER acompanhou atentamente a apresentação de 11 projetos de startups de vários lugares do Brasil, alguns em fase de desenvolvimento e outros já em um nível avançado: Ampyou, Gig, Berimbau Aparelhado – Violão Inventado, Groovelist, Harmônicas, iMedia Sources, Musicle, Lupa Música, Outlet do Músico, Real Book Brasil e Weeshing.

Na outra sala, um tema bastante novo e inovador era discutido diante de uma enorme plateia: “O que diabos é Blockchain e como isso vai mudar a sua vida?”. Sala lotada para tentar entender o conceito desta tecnologia que visa a descentralização de dados como medida de segurança. São bases de registros e dados distribuídos e compartilhados que possuem a função de criar um índice global para todas as transações que ocorrem em um determinado mercado. “A ideia é construir uma relação de forma transparente e respeitosa”, explicou Luiz Augusto Buff, mediador da mesa.

Profissionais australianos comandaram um painel – também lotado – sobre a conexão da música local com o Brasil. A equipe reforçou a ideia já discutida em algumas palestras (como a de profissionais do Québec) de que é preciso tatear o cenário australiano antes de tentar uma investida, ou seja, ir sozinho na cara e coragem pode ser uma roubada. “Tente conseguir um manager ou um selo ou mesmo um artista que introduza você no cenário local, pois senão você poderá estar desperdiçando dinheiro”, resumiu a mesa.

“Por Elas e Pra Elas: Os Festivas das Mulheres” reuniu representantes da WME, Sêla, Sonora Festival, M.A.N.A., Oficina de Artistas e Mujeres ao Greigo (Argentina). “As pessoas falam que o protagonismo feminino está na pauta, mas ainda vemos muito desequilíbrio. No Lollapalooza 2017, de 104 músicos apenas 10 eram mulheres”, cobrou Camila Garófalo. Labaq tocou em outro ponto: “Como fazemos para expandir esse discussão e atrair homens pro debate? É esta a questão que precisamos pensar agora”.

O mercado mexicano de música foi aprofundado no painel “Viva México”, que apresentou exemplos como o do festival mexicano Marvin, que a exemplo da SIM, ocupa determinadas regiões da cidade e promove a cena local (com uma pulseira é possível transitar por várias casas de show e conhecer novas bandas), e do Nrmal, cuja proposta é tecer redes ao redor do mundo, e, para isso, traz artistas de outros países, como o Brasil, que necessariamente não precisam ser desconhecidos, mas precisam apresentar material novo. “Precisamos redescobrir a América Latina. Existe muita coisa para além da cultura norte-americana e europeia”, cravou Sebastián Piracés-Ugarte, da banda francisco, el hombre.

Já na Sala Jardel Filho, um tema bastante atual era discutido: “Censura Nunca Mais”. O jornalista Jotabê Medeiros, autor do livro “Belchior – Apenas um Rapaz Latino-Americano” alertou sobre o projeto de lei do deputado Marcos Feliciano, que tramita na Câmara Federal: “Esse projeto deixa a censura feita de artifícios e parte para uma censura oficial”, opinou. “Quando dizemos que há uma escalada da tendência a cerceamento, estamos dizendo que há algo subliminar, parte de algo não oficial, que está se tornando oficial, com parâmetros legais”, comentou. “Parece que não é assustador porque ainda não bateu em nós, mas está crescendo e há casos escabrosos surgindo”, completou.

Coroando um dia de muita troca de informações, contatos e ideias, o coquetel AUSSIE BBQ promovido pela comitiva australiana no Jardim Suspenso do Centro Cultural São Paulo foi um sucesso, com credenciados entrando na vibe churrasco promovida pelo AUSSIE BBQ (cerveja + hot-dog especial) ao som do duo DZ Deathrays, da cantora e compositora Ali Barter e de The Kite String Tangle projeto-solo do produtor Danny Harley. O DJ francês Acid Arab tocou entre as atividades.

SHOWCASES
De maneira intimista, Tim Bernardes mostrou as canções do elogiado álbum “Recomeçar” para uma plateia atenta que lotou a Sala Adoniran Barbosa logo no primeiro horário do dia, seguido do pianista uruguaio Luciano Supervielle, que agradou imensamente aos presentes. As guitarras distorcidas dos paraenses da Molho Negro e dos franceses do Dot Legacy também foram aplaudidas numa seleção que ainda contou com o charme de Xênia França, a sagacidade do Rimas & Melodias, o ritmo de Grand Bazaar e Iconili e a apresentação poderosa de Larissa Luz.

A Semana Internacional de Música de São Paulo segue com uma programação repleta de atividades até o domingo, 10 de dezembro. Confira a programação completa aqui. A SIM São Paulo é uma realização da Inker Agência e este ano conta com o patrocínio da AOC.

Fotos de Marcos Hermes, Victor Balde, Pedro Margherito e Filipa Andreia

Ouça a playlist The Best of SIM São Paulo no Spotify!





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