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Dani Ribas: “meu talento é entender como funcionam as engrenagens”





Por Rafaela Piccin


O quarto capítulo da série #BehindTheSIM, que conta a história das profissionais envolvidas na Semana Internacional de Música de São Paulo, entrevista a historiadora, socióloga e pesquisadora Dani Ribas. Ela é diretora de pesquisa do DATA SIM, núcleo da SIM São Paulo que levanta dados sobre o mercado da música no Brasil.

Um dos projetos mais audaciosos e necessários da SIM São Paulo, o DATA SIM é o núcleo dedicado à pesquisa e organização de dados do mercado de música no Brasil. Lançada na SIM 2018 e com um longo caminho a seguir, a iniciativa tem como objetivo produzir dados e estudos sobre a indústria musical mostrando seu valor, importância e impacto econômico.

Para assumir a direção das pesquisas, mesclando conhecimento acadêmico e paixão pela música, ninguém melhor do que Dani Ribas, historiadora, com mestrado e doutorado em sociologia, e especialista em Políticas Culturais.“Na minha cabeça eu sempre trabalhei com música. O que foi mudando foi o nível de profissionalização de meus trabalhos e a área” diz ela, que iniciou na música como musicista amadora e descobriu-se profissionalmente nos bastidores e na vida acadêmica. “Meu talento não é estar em cima do palco. É entender como funcionam as engrenagens do mundo da música. E é isso o que faço até hoje”.

Dani é diretora da Sonar Cultural Consultoria e Pesquisa em Gestão Cultural, empresa pela qual realizou trabalhos de consultora da UNESCO e desenvolveu pesquisas com o IPEA. Com talento nato de professora - é nascida em 15 de outubro, Dia do Professor - já coordenou o curso de Gestão Cultural no Centro de Pesquisa e Formação do SESC e, atualmente, leciona cursos de Gestão Cultural na FESP-SP e na UNICAMP.

Sua relação com a SIM começou na segunda edição de feira, em 2014, quando deu uma palestra sobre hábitos culturais e formação de público. No ano seguinte, foi convidada por Fabiana Batistela, diretora da feira, para integrar o recém-criado Conselho Consultivo da SIM - do qual Dani faz parte até hoje.

No final de 2017, as duas resolveram, juntas, tirar o DATA SIM do papel, já que ambas sentiam necessidade de dados da indústria da música que não existem ainda no Brasil. “A pesquisa, de maneira geral, não é levada a sério no país. Pesquisa relacionada às industria culturais, menos ainda. O governo tem obrigação de entender todas as cadeias produtivas do país bem como estruturá-las e regular suas relações, seja a automobilística, a do agronegócio, ou as indústrias culturais,” conta sobre os desafios da profissão.

“Nessa economia que o mundo todo vive hoje, menosprezar o poder econômico, inclusive da indústria criativa, é jogar no lixo um filão do que poderia ser desenvolvido. É dar as costas para um futuro que nem vai começar, porque a gente não está entendendo o papel da música e da cultura nesse contexto. Então, acho que o papel do DATA SIM, ao levantar esses dados, é de extrema importância”, diz.

Comparando a situação do mercado brasileiro com outros países, ela atenta para o fato de que, no exterior, o governo divide a responsabilidade de desenvolvimento do mercado musical com produtores e artistas. “Veja o caso da Austrália, de Londres, no Reino Unido, todos os países europeus de uma forma geral, os USA: o governo mapeia essas cadeias produtivas, levanta números e dá para o setor se desenvolver. No Brasil, parece que é o contrário”, compara.

Com muito trabalho pela frente, algumas das ações já começam a dar frutos: a primeira parte da pesquisa sobre O Mercado da Música na Cidade de São Paulo, dedicado a Espaços de Música ao Vivo, descreveu o perfil e indicou a importância econômica e cultural destes locais para cidade. Outras três partes deste estudo (mercado fonográfico, indústria de instrumentos e setor artísticos) estão em desenvolvimento e logo serão lançadas em datasim.info.

Outra importante pesquisa do DATA SIM, ainda recebendo respostas, investiga a participação feminina no universo musical. Intitulado “Mulheres na Indústria da Música no Brasil: Obstáculos, Oportunidades e Perspectivas”, o estudo é compatibilizado com a pesquisa “Women In The U.S. Music Industry: Obstacles And Opportunities” (leia o report completo aqui) do Berklee College of Music e Women in Music (WIM), e vai reunir dados de mulheres de diferentes idades, momentos de carreira, funções e regiões do país. O resultado, mostrando a diversidade das profissionais que fazem a música brasileira acontecer, será apresentado na SIM São Paulo 2019.


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