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Felipe Gonzales: “A música latina é, por excelência, contestatária”





Por Izabela Delfiol

 

Continuamos com a série #BehindTheSIM, que conta a história dos profissionais envolvidos na Semana Internacional de Música de São Paulo. No décimo quarto capítulo, entrevistamos Felipe Gonzales, fundador da Difusa Fronteira e membro do Conselho Consultio da SIM São Paulo. 

A música latina sempre esteve presente na vida de Felipe Gonzales, ainda que no plano de fundo. Foi depois de uma viagem pelos Andes que a cultura latino-americana ganhou protagonismo nos estudos e na identidade do fundador da Difusa Fronteira: "Acho que quando fiz essa viagem pro Chile e atravessei a cordilheira dos Andes, foi muito simbólico tudo o que colhi no caminho. Eu e um amigo fizemos isso de ônibus e foi o nosso pequeno diário da motocicleta: de colher informações, conhecer um pouco das músicas regionais e folclóricas da Argentina e do Chile... Acho que essa viagem que mudou a minha chave de interesse pela música latino-americana".

Depois disso, Felipe fez um intercâmbio para Córdoba e foi quando a cultura do continente latino-americano tomou conta de sua vida. A Difusa Fronteira começou a ganhar forma como tese de conclusão de curso mas não parou por aí e tornou-se o que é hoje: um núcleo de integração cultural latino-americano. "A gente trabalha com outras linguagens mas a música tem um fator importante dentro da Difusa Fronteira. Temos uma lista de pelo menos 25 artistas que ajudamos a trazer para o Brasil e organizamos o MUCHO!, que é um festival de cultura e música latino americana que busca trazer protagonismo para as bandas do continente," ele explica.

Do dia 14 ao dia 19 de abril, o MUCHO! promoverá a ação SOMOS MUCHO!, que busca fortalecer os laços latinos mesmo durante o período de auto-isolamento. Artistas brasileiros receberão artistas de vários países da América Latina em transmissões ao vivo para tocar junto e falar sobre música e cultura. Emicida + Ana Tijoux (Chile) e Ava Rocha + Sofia Viola (Argentina) estão entre os nomes que participarão da ação.

Como alguém que circula e vive ativamente a cena cultural do continente, Felipe acredita que a música latino americana é, por excelência, revolucionária: “Vários artistas nos anos 60 e 70 transformaram a poética contestatária em luta e isso vem sendo recuperado agora". Ele ressalta que a América Latina inteira vive, já há algum tempo, um momento político tenso: "A gente vive um movimento de disputa ideológica e de manifestações públicas. É um momento de transformação importante e que a história vai cobrar resultados no futuro. E isso vem se notando também na produção cultural".

Na visão do produtor não faltam criatividade e capacidade em sua área de trabalho, mas fatores externos como arrecadação de recursos e incentivos institucionais impedem que muitos projetos sejam realizados. "O maior desafio é encontrar recursos e incentivo para concretizar nossos objetivos de circulação da arte e da cultura," revela.

Felipe conhece a SIM São Paulo desde o início, em 2013: "Quando voltei de uma feira da Argentina, a MICA, dei de cara com a primeira edição da SIM. Participei e fiquei encantado com o nível de discussão e também com a possibilidade de me aproximar de outros colegas que estavam movimentando essa cena aqui no Brasil". Ele integra o Conselho Consultivo há 3 anos e seu trabalho consiste em "buscar alternativas e meios para que a cultura latino-americana se una". 

Para ele, a SIM é uma conectora fundamental para a união latino-americana no mercado de música. "Vejo que, a cada ano, a SIM vem crescendo nesse objetivo de diminuir a distância entre a produção daqui e a dos nossos vizinhos e aproximar os laços artísticos em nosso continente," finaliza.

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