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FESTIVAIS DO BRASIL SE UNEM EM MANIFESTO PELA MÚSICA EM TEMPOS DE CRISE





Foto: Hannah Carvalho
A SIM São Paulo

 

Num país que ama música, mas que se vê privado de ir a eventos por conta das mudanças impostas pela pandemia de Covid-19, os festivais de música parecem ameaçados, mas a união de mais de 100 eventos pelo país vai confrontar mais esta crise. Nesta segunda (25), um grupo de representantes de festivais independentes lançou seu primeiro manifesto em favor do fortalecimento do setor e em respeito à vida dos profissionais envolvidos.

Neste primeiro momento, os representantes destes festivais estão formalizando apoio à Lei de Emergência Cultural que está em tramitação no Congresso Nacional. Nos próximos dias, eles começam uma agenda de encontros com parlamentares e gestores públicos para discutir propostas e soluções para o setor. Para o final de junho, a associação dos festivais irá realizar uma grande conferência nacional para levantar um conjunto de propostas e um calendário unificado para os eventos que acontecerão em 2021.

Dados - Os festivais, feiras e festas no país tiveram que parar neste momento seguindo uma tendência mundial em que os maiores eventos de música também mudaram suas datas para 2021 aguardando o fim desta situação. De acordo com um levantamento feito pelo DATA SIM em março de 2020, 536 empresas ouvidas pela pesquisa reportaram o adiamento ou cancelamento de mais de 8 mil eventos de música ao vivo em 21 estados do Brasil, com uma projeção de público de 8 milhões de pessoas, prejuízo direto de R$ 483 milhões e afetando cerca de 20 mil profissionais. 

 

Se os resultados fossem projetados para todas as 62 mil MEIs da “música ao vivo” (empresas individuais de “Produção” e “Sonorização e Iluminação”), os prejuízos seriam de R$ 3 bilhões afetando um milhão de trabalhadores. Isso sem contar as empresas que não são MEIs. Em outro estudo do DATA SIM, realizado em parceria com a Sympla, foram mapeados quase 2 mil festivais de música no Brasil em 2018 - e a pesquisa aponta que estes não representam a totalidade dos festivais de música que acontecem todos os anos no país. Esta é a dimensão de um mercado que até o início de 2020 era crescente.

Além disso, outros dados comprovam a importância do setor cultural para a economia: em 2016, ele era responsável por cerca de 2,64% do PIB, 1 milhão de empregos formais e 9,1% de taxa média anual de crescimento no período 2012/2016 (Fonte: Plano de Economia da Música, 2016). Nos últimos dez anos a Economia da Cultura teve um crescimento acumulado de quase 70% (FIRJAN, 2014) representando 3,5% da cesta de exportação brasileira (OEA, 2013), agregando 11,4% de valor econômico adicionado ao geral total da economia brasileira (IBGE, 2013), mobilizando um mercado interno de aproximadamente US$ 10,6 bilhões (FGV Projetos, 2015) e representando 4,2% do total de ocupações (IBGE, 2013). Os segmentos culturais representavam até 2016 cerca de 7,8% da malha empresarial brasileira, com alta densidade de micro empreendimentos.

 

Leia o manifesto na íntegra e veja os festivais envolvidos.

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