MINISTÉRIO DA CIDADANIA E MASTERCARD APRESENTAM

News

Flavio Scubi: “A gente tem o desafio do tempo”





Por Izabela Delfiol

 

Continuamos com a série #BehindTheSIM, que conta a história dos profissionais envolvidos na Semana Internacional de Música de São Paulo. No décimo oitavo capítulo, entrevistamos Flavio de Abreu, que está a frente do selo e agência Scubidu Music e membro do Conselho Consultivo da SIM.

À frente da Scubidu Music (selo e agência de música com foco em turnês internacionais e gerenciamento de carreira), Flavio Scubi de Abreu trilhou outros caminhos antes de aterrissar na música. “Morei fora do Brasil entre 2001 e 2006 e quando voltei, três amigos músicos estavam em momentos incríveis das carreiras deles: o Ricardo Herz, violinista, tinha ganho o júri popular do prêmio Visa; já o Danilo Moraes e o Ricardo Teté tinham vencido o festival da TV Cultura. Eu acompanhava o trabalho deles e quando voltei ao Brasil, eles me pediram, ao mesmo tempo, para dar uma ajuda na carreira deles. Eu e o Herz estávamos fazendo um show no Auditório Ibirapuera com Dominguinhos e a orquestra Tom Jobim. E foi naquele momento em que falei ‘é isso que eu quero fazer’. Também teve um dedo do Pena Schmidt, que me convidou para ir até o auditório para conversarmos, me ajudou a mudar a proposta e a gente fechou esse showzaço”, lembra. 

Formado em Administração, trouxe a bagagem acumulada nas andanças pelo mundo e outros trabalhos para sua atuação na música: “Eu viajava bastante. Fazia pesquisa e relatório de inteligência de mercado para uma empresa na Bélgica. Fui muito para a África, Oriente Médio, etc., Aí usei essa experiência para ajudar os artistas com quem trabalhei aqui no Brasil. Para mim, a internacionalização sempre foi muito importante: levar o talento brasileiro para o mundo”, comenta o empresário de Hermeto Paschoal e Anelis Assumpção.

Circular por feiras de música foi fundamental na trajetória de Flavio, que viu a SIM São Paulo nascer e crescer: “Era impressionante como tínhamos mercados fortes, com presença internacional, apoio e movimentação financeira considerável, mas nada aqui. A SIM, quando surgiu, era uma necessidade porque não tinha parecido em São Paulo. Participei várias vezes em palestras, mediando mesas, discussões e, nos últimos anos, tenho feito parte do Conselho Consultivo. Acho uma experiência incrível, porque tem um grupo de profissionais que admiro e que realmente têm essa sintonia com a importância do evento e que contribuem para ele, porque é um evento em que todo o ecossistema da música se beneficia”. 

O conselheiro destaca a consistência da SIM e como a feira tornou-se um exemplo de estabilidade dentro do mercado: “As pessoas entendem como funcionam os métodos porque, todos os anos, eles são os mesmos e só recebem aprimorações. Elas sabem as diferenças dos showcases diurnos de 20 minutos e de uma noite da programação, seja em um bar de jazz ou em uma balada às duas da manhã. É um evento maduro nesse sentido.”

Seu foco em internacionalizar a música brasileira, deu a Flavio uma boa visão comparativa entre os mercados estrangeiros e o brasileiro. “O Brasil tem uma cultura muito rica e um potencial absurdo na música, mas é um mercado que não é estruturado, não tem fomento e tem políticas confusas, que mudam toda hora”, comenta. A falta de profissionalização, estabilidade e regulamentação do mercado brasileiro de música estão entre as dificuldades citadas pelo fundador da Scubidu Music, que reforça a necessidade de mais investimento na formação de profissionais da música. “Aqui, muitas vezes, até os melhores do mercado não tem formação específica, eles aprendem na prática... Falta um pouco de investimento em cursos e na parte de educação ligada às profissões da música. Na parte de turnês, então, nem se fala. Os mercados europeus e americanos são muito estruturados com festivais, temporadas, contratos bem definidos, comunicação inteligente. Eles têm muitas métricas, sabem dizer se um artista vai funcionar ou não, se tem potencial ou não. São mercados que são estudados e tratados de maneira super profissional”, relata. 

Ele afirma ainda que é difícil fazer previsões sobre o futuro pós-coronavírus, mas ele tenta manter uma postura otimista: “Eu tento não me deixar levar pela tristeza de imaginar que as pessoas não vão mais poder dançar forró juntinhas ou ir em show e fazer um mosh - gosto de imaginar que essa situação é temporária. Mas a gente tem o desafio do tempo e não pode deixar de aproveitar essa oportunidade de reinventar o mundo”.

De olho no presente, enquanto ainda tentamos lidar com a nova realidade do mercado, ele reflete a respeito da necessidade de pensar soluções junto dos artistas e de observar as movimentações que têm acontecido. “É só ficar de olho e tentar se reinventar. Temos que ver com artistas novas maneiras de monetizar que sejam justas e, se não forem justas, vamos brigar para que sejam justas. Tem que ver como vai ser a relação com os fãs, que agora estão dentro das casas dos artistas. A gente já tinha um pouco disso, com as redes sociais, mas essas lives representam uma interação direta.”

  • contato
PRODUÇÃO / PRODUCTION
INFO@SIMSAOPAULO.COM
ASSESSORIA DE IMPRENSA/PR
PRESS@SIMSAOPAULO.COM