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Karen Cunha: “Na luta por sobrevivência, esquecemos de olhar ao redor”





Por Izabela Delfiol

 

Continuamos com a série #BehindTheSIM, que conta a história dos profissionais envolvidos na Semana Internacional de Música de São Paulo. No vigésimo segundo capítulo, entrevistamos Karen Cunha, parte do Conselho Consultivo da SIM São Paulo.

Se você frequenta os espaços de música independente da cidade de São Paulo, as chances de já ter ouvido o nome de Karen Cunha são grandes - e pode ter sido até nos versos do grupo indie paulistano Bazar Pamplona. Karen, que hoje trabalha autonomamente como consultora, diretora artística, curadora, entre outras funções, participou da construção de projetos que injetaram vida nova ao circuito independente da capital paulista. 

Sua carreira na música começou ainda no colégio, onde organizava festas e foi responsável por ressuscitar o grêmio estudantil. Seu primeiro passo enquanto profissional da área veio em 2004, quando começou um estágio na Coordenadoria da Juventude: “A gente tinha a missão de explicar para as pessoas o conceito de juventude, que até então não fazia sentido pra ninguém. Existia a criança e o adulto e nada entre essas duas coisas. Até pela importância da arte e da cultura na vida dos jovens, a maior parte do nosso trabalho era voltada para esse tema”.

Ela participou da criação do Centro Cultural da Juventude, na zona norte de São Paulo. “O projeto foi ficando tão incrível que acabamos todos indo trabalhar lá. Fui responsável pela curadoria dos primeiros anos do CCJ. Muita coisa aconteceu por lá, como um dos primeiros concursos de drag queen do Brasil; lançamentos dos primeiros álbuns de artistas como Gaby Amarantos, Projota, Emicida; shows internacionais como GZA (Wu Tang Clan), Ian Mackaye (Fugazi), Manu Chao, Avey Tare (Animal Collective) tocando na praça do cemitério e muitas outras coisas. Foi lá que nasceu o Mês da Cultura Independente (MCI) que depois virou política para a cidade toda”, conta. 

De lá, Karen foi convidada a trabalhar com Projetos Especiais no Gabinete do Secretário Municipal de Cultura em 2013. “Fortalecemos a Virada Cultural, criamos a política do Carnaval de Rua, criamos o SP na Rua, ampliamos o MCI, criamos uma política de fortalecimento das festas de rua”, relembra. Ela complementa, explicando como tomou a decisão de deixar o setor público e assumir diferentes funções no mercado: “Depois de 13 anos, comecei a achar que era hora de conhecer o outro lado da coisa e, com muito sofrimento, decidi sair da Secretaria e pensar um pouco sobre o que eu queria fazer. Muito mais rápido do que imaginava, muitas coisas legais começaram a aparecer e acabei fazendo muitas curadorias, direção artística de show, consultoria para empresas e eventos”.

Karen destaca o conceito de “co-curadoria” e usa o MCI e o SP na Rua para exemplificar como as relações entre poder público e música, principalmente música independente podem ser: “Ambos os projetos também tinham como missão de dar visibilidade para uma cena mais alternativa tanto do ponto de visto estético quanto comercial. Acho que o papel do poder público é olhar para a cadeia como um todo e identificar pontos frágeis, mas com muito potencial de crescimento”.

Conselheira da SIM São Paulo há três anos, a história de Karen com a convenção começou muito antes disso: “Vi nascer a ideia na SIM enquanto estava na Secretaria ainda. Era consenso que a cidade precisava de uma grande feira de música, então apoiamos a primeira edição financeiramente e com o espaço. É muito legal ver a proporção que tomou”. 

De olho na crise política nacional e nos movimentos sociais, a conselheira acredita que a música precisa combater as opressões dentro de seu próprio ecossistema para, então, tentar somar às outras lutas. “Se a gente não começar observando e corrigindo as discrepâncias dentro da nossa própria área vai ser difícil contribuir para um mundo melhor. Muitas vezes, nessa luta por sobrevivência, a gente esquece de olhar ao nosso redor: Quem são nossos parceiros? Que tipo de artista faz parte das nossas curadorias? Tem artistas LGBTQ+, negres, mulheres, indígenas nos nossos projetos? Como a gente remunera nossos fornecedores? Como a gente contribui para ter agentes culturais que estão fora da nossa bolha? A natureza do meu negócio é justa? Estamos no meio de uma pandemia que obrigou boa parte do nosso setor a fechar as portas. Como vai ser daqui pra frente? O que queremos para essa nova configuração da nossa área?”, provoca.

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